Porque os clássicos nunca morrem

15 de setembro de 2011

Hattie McDaniel

Com 5 Comentarios

Desde que comecei a me interessar por cinema clássico,  tive vontade de conhecer um pouco mais sobre esta atriz americana. Ao ler um pouco sobre sua biografia, conclui que Hattie McDaniel foi uma heroína em um mundo racista. Venceu muitos obstáculos para conquistar o reconhecimento que tem hoje. Particularmente, sou uma grande admiradora dela.

Veja um pouco de sua trajetória em tópicos:

·     Hattie McDaniel era filha de um pastor batista, que lutou na Guerra Civil Americana, e de uma cantora gospel. Sua avó paterna tinha sido uma escrava na Virgína, EUA.

·     Em 1910, com 15 anos, ganhou uma medalha em um evento cristão por recitar um poema que havia escrito. Era a única negra neste evento. Foi aí que descobriu o que queria ser “quando crescer”: trabalhar com entretenimento.

·     Hattie foi uma das primeiras mulheres negras a cantar na rádio em 1925, em uma estação de rádio em Denver. Com isso, ela gravou várias canções, fazendo turnês em várias cidades americanas. A maioria das músicas ela mesma tinha escrito.


·     Com a queda da bolsa de valores de Nova York, em 1929, Hattie não conseguia muito trabalho. Com isso, conseguiu emprego apenas com atendente de banheiro em uma boate para pessoas brancas em Milwaukee. Mesmo sabendo que a futura Mammy era uma boa cantora, o dono temia em deixá-la cantar. Mas um dia, ela foi convidada a cantar e se tornou uma das principais atrações da boate.

·     Em 1931, mudou-se para Los Angeles com seus irmãos para tentar conseguir algum trabalho em filmes de Hollywood. Quando não conseguia papel algum, trabalhava como empregada doméstica ou cozinheira. 

·     Um de seus irmãos trabalhava em uma rádio e fez com que sua irmã se apresentasse lá, tornando-se extremamente popular até virar uma estrela de rádio. Mas seu salário era tão baixo que ela tinha de continuar trabalhando como empregada doméstica.

·     Quando conseguia, finalmente, papeis em alguns filmes, seu nome não aparecia nos créditos na maioria deles. Em toda a sua carreira, Hattie apareceu em mais de trezentos filmes, sendo creditada em apenas oitenta deles.

·     Em vinte anos de carreira, Hattie só interpretava empregadas devido ao preconceito muito forte daquela época às atrizes negras. Um dia, ela disse o seguinte: “Por que devo reclamar enquanto ganho 700 dólares por semana sendo uma empregada nas telas? Se não fosse uma nas telas, ganharia 7 dólares por semana sendo uma de verdade”.

·     No filme Judge Priest (1934), dirigido por John Ford, Hattie interpreta seu primeiro protagonista, senão o único em toda a sua carreira.

·    Hattie sempre teve boa amizade com os atores e atrizes, entre eles: Will Rogers, Joan Crawford, Bette Davis, Henry Fonda, Ronald Reagan, Olivia de Havvilland e Clark Gable.


·     No papel de Mammy de ... E o vento levou (1939), a disputa foi muito acirrada quanto ao de Scarlett O’Hara. Até a primeira dama americana, Eleanor Roosevelt, se intrometeu, querendo que o papel fosse para sua empregada. Mas quando Hattie foi fazer o teste com a roupa de empregada, o produtor do filme, David O. Selznick, percebeu que havia encontrado a Mammy.

·     Na estreia do filme ... E o vento levou em Atlanta, por causa da pressão racista da Ku Klux Klan, ela avisou ao diretor, Victor Fleming que estava doente e que não poderia ir. Na verdade, ela estava com medo. Clark Gable, seu amigo, queria boicotar por causa de Hattie, mas, após a atriz convencê-lo do contrário, resolveu ir.

·    Na cerimônia do Oscar de 1940, foi a primeira negra a ir ao evento como convidada, não como empregada como era naquela época.


·     Ela foi a primeira negra a ganhar um Oscar em 1940 por ... E o vento levou, na categoria Melhor Atriz Coadjuvante. 


·         Pra quem não sabe, a personagem Mammy foi imortalizada com aquela senhora dos desenhos do Tom e Jerry que nunca aparece o rosto.

·    Durante a década de 1940, ela não recebia mais papeis em filmes e, com isso, voltou às rádios. Ganhou uma séria, Beulah, em uma rádio, fazendo com que se tornasse a primeira negra a ter a sua própria série.


·     Hattie McDaniel faleceu jovem, com 57 anos de idade, em 1952. Sua herança somava um pouco menos de dez mil dólares.

·     Quando viva, Hattie desejava ser enterrada no Cemitério de Hollywood, mas o dono daquela época recusou que uma negra fosse enterrada lá. Por isso, Hattie descansa no Cemitério Angelus Rosedale em Los Angeles. 

·     Em 1999, o novo dono do Cemitério de Hollywood - agora com novo nome, Cemitério Hollywood Forever – resolveu consertar os erros do passado, contatando a família de Hattie para que seus restos mortais fossem transferidos para lá. Mas a família recusou, pois não queria perturbar seus restos após tanto tempo. Então, o Hollywood Forever decidiu construir um memorial dedicado a Hattie McDaniel.
 
 

+1

5 comentários:

ANTONIO NAHUD JÚNIOR disse...

Fico tão feliz quando ela surge repentinamente em um filme que estou assistindo. É que muitas vezes seu nome não consta nos créditos... É como reencontrar uma velha amiga.


O Falcão Maltês

danistill disse...

Eu adoro a Hattie Mc Daniel. Sempre gostei dela. Obrigada por postar estas curiosidades sobre a vida de Hattie. Eu não sabia praticamente nada sobre ela. Só que ela havia ganhado o Oscar de Melhor atriz coadjuvante.

danistill disse...

Eu adorava a Hattie. Grande atriz.

danistill disse...

Uma das melhores atrizes que ja apareceram no século XX e sempre será lembrada por seus fãs.

Didi Iashin disse...

Issu num tá certo, Dona Scarleti, isso num tá certu!!!

Gosto muito da personagem e não conhecia esses dados da atriz. Mas consegui baixar um episódio de Beulah, com Hattie.

Postagem mais recente Postagem mais antiga Página inicial