Porque os clássicos nunca morrem

2 de setembro de 2011

Elia Kazan e o Oscar Honorário

Com 7 Comentarios

A cerimônia do Oscar de 1999, na minha opinão, foi uma das mais injustas que já assisti: premiou um filme água com açúcar chamado Shakespeare apaixonado em vez do ótimo Resgate do soldado Ryan ou Elisabeth; deu a Gwyneth Paltrow  um Oscar de Melhor Atriz, esquecendo-se de Cate Blachent e da grande Fernanda Montenegro; etc.

Nesta cerimônia, um fato me chamou mais a atenção: foi a premiação com um Oscar Honorário a Elia Kazan, diretor de origem grega com ótimos trabalhos nas décadas de 1940 e 1950 especialmente. Para alguns da Academia, foi uma premiação muito injusta pelo fato de ele ter contribuído com o marcatismo, entregando nomes de possíveis comunistas, estragando com a carreira de muitos naquela época.

Quando Elia apareceu para receber a estatueta, muitos se recusaram a bater palmas e a se levantar em homenagem a ele, reconhecendo, assim, o seu “grande valor e contribuição” com Hollywood. Assim, me interessei em pesquisar mais sobre este diretor.

Kazan dirigiu filmes muito importantes nas décadas de 1940 e 1950, como já disse, tais como: A luz é para todos (1947), Um bonde chamado desejo (1951), Viva, Zapata! (1952), Sindicato de ladrões (1954), Vidas amargas (1955) dentre outros, além de ganhar dois oscars como Melhor Diretor por A luz é para todos e Sindicato de ladrões.

O diretor foi membro do Partido Comunista dos Estados Unidos e, como ex-membro, denunciou colegas de trabalho deste partido ao Comitê de Investigações de Atividades Antiamericanas, comandado pelo senador Joseph MbCarthy; por isso o nome marcatismo. Com isso, ele não era bem visto por Hollywood.

Sabendo disso, não sei se Elia Kazan achou que “cooperar” com o governo americano era a coisa certa, mas, com certeza, estragou com a vida de muita gente. Isso deixou muita gente revoltada naquela cerimônia. De qualquer modo, não vamos desmerecer o trabalho deste diretor; o meu favorito é o ótimo Sindicato de ladrões, com uma trilha sonora maravilhosa.

Elia Kazan e o Oscar Honorário de 1999

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7 comentários:

Pelos Olhos de Andrei disse...

Kazan é mesmo um excelente cineasta; "Sindicato de Ladrões" é certamente um dos dez melhores filmes americanos de toda a história do cinema. O Oscar foi para a sua obra, não para sua pessoa. Mesmo assim, se eu estivesse lá, além de não me levantar, o vaiaria. Traidores são para mim a pior espécie de pessoa. Como Orson Welles mesmo disse, "Kazan entregou seus amigos para manter a piscina de sua casa". E da forma que ele fez, foi sujo.

ANTONIO NAHUD JÚNIOR disse...

Kazan é muito bom. Não gosto de confundir vida e obra.São coisas diferentes. O meu favorito dele é CLAMAR DO SEXO. Obra-prima absoluta.
Cumprimentos cinéfilos!

O Falcão Maltês

ANTONIO NAHUD JÚNIOR disse...

Amiga, venha participar do novo QUIZ!
Abraços,

O Falcão Maltês

Pelos Olhos de Andrei disse...

Torno minhas suas palavras, Antonio. Como disse, o Oscar foi para seu filme, não para sua pessoa.

Selso disse...

Além de de bom diretor ele foi um herói norte americano !Ele foi comunista e viu de perto o horror das massa teleguiadas e a podridão que se escondia sob a carinha de anjo do "politicamente correto" ! Ele, como outros ex-comunistas, se deu conta que aquilo era uma empulhação e que destruiria a grande nação que o acolheu. Se ele destruiu algumas carreiras, poupou milhões de vidas, e hoje em dia contabilizaríamos bem mais que os 100 milhões de mortos pelo comunismo mundo afora!
Se Hollywood o renegou é porque realmente estava infestada de comunistas e MaCarhy tinha razão.
Se o mundo tivesse mais homens de caráter como ele muitas tragédias teriam sido evitadas !!
Chega de bom-mocismo inconsequente!

Marcia Moreira disse...

Olá para todos.

Fico feliz com os seus comentários, que são sempre bem-vindos aqui.

Um abraço para todos.

Darci Fonseca disse...

Quem foi premiado naquela noite? O homem ou o diretor? Certamente ninguém iria premiar o homem Elia Kazan. Acontece que não existe o artista sem o background, a personalidade e a visão de mundo do homem. Kazan é isso aí: admirável diretor de tantas obras primas, mas como homem, bem, deixa pra lá, vai... Darci Fonseca (CINEWESTERNMANIA)

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